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Subemprego 5: Repórter do Camarote da Brahma em 1997

A primeira regra era: não beber cerveja. Vais a trabajo, entiendes? Meu chefe era argentino. Entiendes? Tá, entendi. Nada de cerveja! Segundo: nada de sambar. Entiendes? Tá. Eu tinha que entrevistar os famosos. Eles sambam, eu entrevisto. Ok. Só tinha um probleminha. Tudo isso era para o site da Brahma.

- Pra onde? - perguntava o famoso.
- Site da Brahma, internet, computador, virtual.
- Como?

Ninguém sabia o que era "site", em 1997, e os famosos muito menos. Daí chegavam as cameras da Rede Globo e lá se ia meu famoso...

O celular tocava: "Entonces? Quien entrevistaste? Como no!? Que fasses aí que no entrevistas la gente? Yo quiero las entrevistas dos famosssos!"

Pedi uma Brahma gelada e passei a forjar entrevistas. Era 1997, fora eu e meu chefe, quem mais acompanhava carnaval pela internet? Talvez um esquimó, se isso.


09h07




Subemprego 4: Modelo vivo, pero no mucho

Se tem uma coisa que eu sempre quis ser, é modelo vivo. Durante anos, só namorei com artistas. Achava que assim, quem sabe... Em vão.

Teve um que teve a ousadia de contratar uma modelo! Ele dizia que aquilo era profissional, tinha que ser com uma profissional. Se fosse questão de beleza, eu entenderia. Não era. De que adiantava a modelo ser linda se no final ela saía careca, com os olhos pendurados na ponta de dois fios, e o pé faltando dedo?

Se a única exigência era ter um corpo para referência anatômica, isso eu tinha. Botei anúncio no jornal. Depois de dez dias um artista me ligou e lá fui eu.

Tirei a roupa e subi no tabladinho. Duas horas se passaram e nada. Não me agarrou, não caiu em cima de mim, não ofereceu bebida. Vai ver eles não atacavam no primeiro dia. Voltei durante dois meses. No final, nem uma beijoca. Recebi um pagamento miserável.

- Não vai querer ver como ficou o quadro?

Na verdade, pouco me importava, mas olhei. Esse foi meu erro. Eu era um elefante!


09h07




Subemprego 3: Olho de aluguel

O acordo era que eu, jovem de dois olhos, venderia minha visão para ele: velho cego. O velho estava cego há um ano. Ficava sentado na varanda como antes, só que agora não via nada. Eu devia ver e narrar. O pagamento era mínimo:
- Mas o seu esforço também é mínimo - resmungou o cego.

No começo eu fazia descrições:
"Velho de camisa xadrez, bengala e barba comprida, branca, vem pela calçada oposta, da banca de revista em sentido à padaria. Fala sozinho e carrega um saco do que parece ser legumes".
- Ah... é o Rubens, aquele velho escroto. Passa pra outro.

"Moça de aproximadamente 25 anos de calça jeans desbotada e camiseta preta vem da padaria em sentido à banca falando ao celular e rindo sozinha. Arruma o sutiã e olha pra cá."
- Safada!

E assim ia. Com o tempo passei a inventar transeuntes. No começo o velho se espantava:
- Tem certeza?
- Estou vendo com estes olhos que a Terra há de comer (eu adorava dizer isso).

O velho sabia que era ficção, mas não se incomodava. A brincadeira então passou a ser misturar transeuntes fictícios com reais. Quando era fictício ele dava um sorrisinho maroto de aprovação. Quando verdadeiro, ele comentava.
Pensando bem, é a técnica que uso até hoje, para escrever este blog, por exemplo.


10h07




Subemprego 2: Carregadora de criança em porta de escola

Na entrevista eu disse que gostava de crianças, que desde criança eu cuidava de crianças, que criança era o motivo da continuação da humanidade, que eu mesma tinha três crianças em casa, que à noite eu pegava as crianças da vizinha para cuidar, que de fim de semana eu ia ao parque brincar com mais crianças.

- Tá! Chega! O emprego é seu.

Eu só não podia deixá-las cair no chão. Elas eram muito ricas. Riquíssimas! Tinham sessenta centímetros de altura, aproximadamente. Meu trabalho era tirá-las da mão do motorista, atravessar a rua e colocá-las nas mãos da professora. Era pior que carregar cristal suíço.

Mas eu era boa naquilo. Durante os dezessete passos em que as tinha no colo, nunca as coloquei dentro de um saco e saí correndo. Nunca arranquei um cachinho de cabelo, pra mandar pelo correio depois. Pelo que li no jornal, dava pra pedir uns bons R$100 mil por cada uma daquelas cabecinhas.


09h56




Subemprego 1: Atriz morta

A peça começava com um tiro. Eu caía e ali ficava, morta. Esse era meu papel.

- Só se concentre em cair de um jeito confortável porque depois você não vai poder se mexer mais. E tente não respirar muito.

Beleza! No dia da seleção fiz três tombos. O diretor gostou do tombo número 2, que machucava um pouco o ombro, mas depois uma massagem resolvia. Minha estréia foi um sucesso. Eu quase não respirava. Com o passar das semanas, percebi que em algumas cenas dava para me espreguiçar um pouquinho. Já no meio da temporada, sentindo-me mais à vontade, comecei a abrir os olhos. Tem muito morto que morre de olho aberto, então achei que tudo bem.

Lá pro fim da temporada, percebi que aquilo era uma bela perda de tempo. Tinha ator pelado, cena de pancadaria, dança. Ninguém nunca olhava pra mim, morta lá no canto. Comecei a cair de costas pro público, ia me ajeitando e dormia a peça inteira. Fui uma boa morta. A não ser por um dia... ronquei. Na temporada seguinte fui substituída por uma morta branquicela de olheiras profundas.


08h54




Explicação inicial

Há alguns anos resolvi que seria escritora. Daí surgiu um problema: dinheiro. Eu precisava trabalhar, mas também precisava escrever. A solução foi passar a viver de empregos braçais que permitissem que minha cabeça trabalhasse nos meus escritos enquanto o corpo ficava ali, fazendo o que quer que fosse. Foi assim que tudo começou.



08h50






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