
![]() Perdendo Perninhas - grupo de amigas enfrenta os temores da quinta série Visite o Site
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Meus livros na Bienal!
Galera, descobri que tenho, sim, livros na Bienal. Estande da Editora Alaúde:
No estande da Escala Educacional tenho livros que adaptei. Eis:
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Subemprego 15: Promotora do Estande da Cia das Letras na Bienal
Na entrevista nem passou pela cabeça deles perguntar se eu tinha livros publicados. Perguntaram se eu já tinha trabalhado em feira de livros. Menti que sim e estava contratada. Minha função era informar às pessoas onde estava o livro que procuravam: - Você tem aquele do Amyr Klink? Era batata. A pessoa logo desistia do Amyr. Nessa hora eu empurrava a pessoa para um canto do estande. Essa era a parte complicada. Eu puxava o "Saga Animal", que já estava estrategicamente escondido atrás de um Ruy Castro. Teria vendido milhões, se não fosse o fato das pessoas darem uma folheadinha e dizerem:
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Subemprego 14: Mocinha da Sala de Velas
- As pessoas vão falar com você por aqui. Alguma dúvida? Muitas. A primeira era: por que não fizeram a grade mais pro alto? Assim eu poderia ver o rosto das pessoas, e não suas barrigas. Mas eu sei que patrões não gostam de dúvidas e, como eu ia trabalhar para Deus, diretamente, eu tinha que ter fé, não dúvidas. Assim eu me tornei a mocinha da sala das velas. A pessoa comprava a vela comigo e acendia ali ao lado, onde as paredes eram pretas e fazia um calor dos infernos. Depois de uma semana, estava prestes a morrer de tédio, quando percebi que eu podia fazer mais do que vender velas: - Pra qual santo? Conforme a resposta eu decidia se era pra arrumar marido, dinheiro, problema de saúde, mulher querendo engravidar, distúrbio mental ou encosto. - O pedido... Prometi a Deus que não faria mais que três perguntas por pessoa. O pagamento era miserável, mas até que rendeu algumas historinhas.
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Subemprego 13: Entregadora de rosas no Dia da Mulher
Eu tinha que me espremer dentro de um vestido vermelho de cetim, subir num salto agulha e sorrir. Não era pra ser sexy, só simpática. O cabelo devia ficar preso num coque, e nada de maquiagem pesada. - A mulher passa, você entrega a rosa e diz: "Parabéns pelo seu dia! Boas compras!" Alguma dúvida? Nenhuma! O pior que podia acontecer era eu cair do salto agulha. Passei o dia distribuindo rosas na porta do shopping. Tranqüilinho! Até que chegou uma pessoa: Dei um sorrisinho. Era fim do expediente, achei que podia abrir uma exceção: Foi horrível. Ela apertou os próprios peitos e ameaçou levantar a camiseta. Entreguei meia-dúzia de rosas e pedi mil desculpas. Mesmo assim tive que ouvir que eu era uma ignorante e reacionária. Não há subemprego tranqüilinho....
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Subemprego 12: Secretária da Sociedade de Estudos Gaya
O nome era só fachada. Na verdade estudavam gnomos. Meu trabalho era ficar sentadinha na recepção, onde todas as paredes eram abarrotadas de livros sobre gnomos. Alguns bonequinhos de gnomos ficavam sentadinhos entre os livros, todos à venda. Além de recepcionar os visitantes, eu fornecia informações sobre as pesquisas de campo. O pagamento era ótimo. Em algum lugar devia ter uma caverna subterrânea cheia de moedas de ouro. Preferia não saber. Os pesquisadores sempre foram muito simpáticos comigo. Aliás, ali todo mundo era simpático e alegre, o tempo todo. Eu me perguntava o motivo de tanta felicidade. Contanto que não aparecessem gnomos de verdade, por mim estava sossegado. Até que um dia um gnomo roxo, que ficava sentadinho na última prateleira, pulou. Do nada ele se jogou lá de cima e caiu na minha mesa. Muito calmamente, peguei-o pela cintura e o recoloquei no lugar. No dia seguinte ele repetiu a façanha. - O baixinho ali já começou a te atazanar? - perguntou o diretor. Só aí percebi que a coisa era realmente séria. No final do expediente, torci o pescoço do boneco. Eu não ia perder uma boiada daquelas por medo de gnomo, não mesmo.
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Subemprego 11: Vendedora de sonhos
- A primeira coisa sobre vender perfumes é que, na verdade, não estamos vendendo perfume - disse o palestrante. Gostei disso. Pelo menos era honesto, pois as coisas nunca são o que são. - É isso que vocês devem transmitir! Não adiantou nada. Tenho certeza que a escolha era pelo nome. As mais espalhafatosas escolhiam Picasso, as poderosas: Eternity, as esquisitas: Dali, as inexpressivas: CK1. Eu vivia das amostras grátis e uma inveja corrosiva. A única vantagem é que eu, ao contrário delas, podia mudar meu sonho a cada dia.
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