
![]() Perdendo Perninhas - grupo de amigas enfrenta os temores da quinta série Visite o Site
|
||
|
|
|
|
|||||||||||||||||
|
|
Subemprego 20: Ghost writer de livro psicografado
A editora me telefonou dizendo que tiveram um problema com a médium e precisavam de alguém para terminar o livro. - Sinto muito. Eu não psicografo. Ela explicou que eu não precisava canalizar. Era só continuar do ponto em que o fantasminha tinha parado. E lá fui eu. Recebi as coordenadas. - Primeiro: Evitar presente contínuo a todo custo. - Segundo: Explicar que Cândida é reencarnação de Vitória, do primeiro livro da série. - Terceiro: Matar o Dr. Marcondes, cirurgião plástico, no final do livro Cheguei em casa, acendi um monte de velas, amarrei uma pirâmide de cristal na cabeça e comecei a escrever. Eu canalizaria, sim senhora. Esta era minha grande chance de ganhar dinheiro com literatura! Uma semana depois, ainda estava quebrando a cabeça tentando explicar como Cândida era, na verdade, a Vitória reencarnada. A única coisa que canalizei foi um pingüim chamado Orozimbo. Passei a andar que nem pingüim pela casa. Agora procuro editora para "O Pingüim Tupiniquim", que nunca mais saiu de mim.
[ ]
[ envie esta mensagem ]
Subemprego 19: Vendedora de limonada na esquina.
Minha inspiração vinha do Charlie Brown. Fui pra esquina, virei uma caixa de papelão de ponta-cabeça e pendurei a placa: "Limonada deliciosa: R$ 1,00" - Você não vai brincar? Depois passaram os meninos, que apontaram e riram. Deixe estar, pensei. Daqui a pouco todos estarão morrendo de sede e só eu vendo limonada nesta rua. Só eu! - É pra vocês comprarem limonada de mim! Os meninos pegaram o dinheiro e saíram correndo. Eu bebi aquela jarra de limonada sozinha. Não voltaria pra casa com ela cheia por nada no mundo. Foi meu primeiro uísque.
[ ]
[ envie esta mensagem ]
Subemprego 18: Poeta de rua
Comecei dando "enter" entre as frases. Por exemplo, em vez de escrever: "Eu ficava sentada, Imprimi cem exemplares, fiz umas tranças no cabelo e fui pra frente do MASP. A pessoa passava, eu pulava na frente e perguntava: - Gosta de poesia? Ela respondia um "não, obrigado". Então eu deveria sair da frente. Sairia, se fosse poeta. Mas não sou. Eu pegava a pessoa pelo braço. - Como não, se você nem ouviu? A pessoa ficava com medo. Eu começava a ler. E como não sou poeta, lia e andava ao mesmo tempo. Dependendo do dia, saltitava. - Quanto é? - perguntava a pessoa.
[ ]
[ envie esta mensagem ]
Subemprego 17: Maquiadora de criança
Eu ficava sentada dentro de uma tenda no meio do Shopping Center. A criança chegava, sentava-se à minha frente e dizia sua opção: borboleta, coelho, gato ou tigre. Peguei a cabeça da criança e cobri seu rosto com tinta verde. Ficou parecendo um sapo. Aumentei o tamanho dos olhos. Ficou parecendo um ET. Apaguei a boca. Ficou parecendo um grilo. Pedi para a criança encher as bochechas de ar. - Ah, sim! Agora começa a parecer um gafanhoto. Só que você vai ter que ficar com as bochechas assim pra sempre. Vi os olhinhos brilharem de felicidade. Fiz umas pintas nas bochechas inchadas e uns riscos no nariz. Guardei o pincel e mandei a criança prestar atenção: - Agora feche os olhos e esqueça quem você é. Pense num gafanhoto. Gafanhotos não andam em duas pernas, não tomam refrigerante e não assistem televisão. Você tem certeza que é isso que você quer? A criança confirmou com um aceno de cabeça. O bicho nem agradeceu. Deixou a tenda pulando de cócoras, enquanto zumbia e batia asas.
[ ]
[ envie esta mensagem ]
Subemprego 16: Rato de laboratório
O pagamento era extraordinário. Eu só me perguntava uma coisa: por que demorei tanto tempo para encontrar um trabalho assim? - Talvez por isso não ser trabalho... - respondia uma vozinha irritante das profundezas da minha consciência. Mandava minha consciência calar a boca, e ia pro trabalho. Vestia meu pijama e cumprimentava a equipe médica. Eles perguntavam se eu tinha passado bem o dia. Minha vontade era de dizer que nunca estive melhor: ganhando para não fazer nada. Hehehe. Eles grudavam os eletrodos na minha cabeça, mandavam eu engolir uns comprimidos coloridos e eu capotava. - Até a noite. A consciência demorava um pouquinho mais para acordar. Esperava eu tomar café na padaria da esquina. Daí começava: - Você devia pelo menos saber o que eles estão pesquisando. Eu só quero ver daqui a dez anos. Seu cérebro estará completamente detonado. Ninguém dorme com corrente elétrica passando pela cabeça. Você é uma irresponsável... E assim ia. Essa era a parte chata do trabalho.
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
|
|||||||||||||||


![]()
