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Subemprego 20: Ghost writer de livro psicografado

A editora me telefonou dizendo que tiveram um problema com a médium e precisavam de alguém para terminar o livro.

- Sinto muito. Eu não psicografo.

Ela explicou que eu não precisava canalizar. Era só continuar do ponto em que o fantasminha tinha parado. E lá fui eu. Recebi as coordenadas.

- Primeiro: Evitar presente contínuo a todo custo.
Normal. Coisa de morto. Eles têm pavor do presente.

- Segundo: Explicar que Cândida é reencarnação de Vitória, do primeiro livro da série.
Mesma lógica. Eles são doidos pra voltar.

- Terceiro: Matar o Dr. Marcondes, cirurgião plástico, no final do livro
Claro. De certo, para que no próximo livro ele possa voltar como escultor, ou algo assim.

Cheguei em casa, acendi um monte de velas, amarrei uma pirâmide de cristal na cabeça e comecei a escrever. Eu canalizaria, sim senhora. Esta era minha grande chance de ganhar dinheiro com literatura!

Uma semana depois, ainda estava quebrando a cabeça tentando explicar como Cândida era, na verdade, a Vitória reencarnada. A única coisa que canalizei foi um pingüim chamado Orozimbo. Passei a andar que nem pingüim pela casa. Agora procuro editora para "O Pingüim Tupiniquim", que nunca mais saiu de mim.


09h59




Subemprego 19: Vendedora de limonada na esquina.

Minha inspiração vinha do Charlie Brown. Fui pra esquina, virei uma caixa de papelão de ponta-cabeça e pendurei a placa: "Limonada deliciosa: R$ 1,00"

- Você não vai brincar?
- Não posso. Estou trabalhando.
Fabíola saiu pedalando e me deixou ali.
- FABÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍOLA! - gritei - VOCÊ NÃO VAI COMPRAR?
- EU NÃO ESTOU COM SEDE! - gritou de volta.

Depois passaram os meninos, que apontaram e riram. Deixe estar, pensei. Daqui a pouco todos estarão morrendo de sede e só eu vendo limonada nesta rua. Só eu!
Uma hora depois, quando ninguém ainda tinha aparecido, fui de casa em casa e contei tudo para as respectivas mães. Recolhi dez notas de R$ 1,00 e distribuí entre meus fregueses.

- É pra vocês comprarem limonada de mim!

Os meninos pegaram o dinheiro e saíram correndo. Eu bebi aquela jarra de limonada sozinha. Não voltaria pra casa com ela cheia por nada no mundo. Foi meu primeiro uísque.


10h06




Subemprego 18: Poeta de rua

Comecei dando "enter" entre as frases. Por exemplo, em vez de escrever:
"Eu ficava sentada dentro de uma tenda no meio do Shopping Center",
que é o jeito certo de se escrever, eu escrevia:

"Eu ficava sentada,
dentro de uma tenda,
no meio do Shopping,
C E N T E R."

Imprimi cem exemplares, fiz umas tranças no cabelo e fui pra frente do MASP. A pessoa passava, eu pulava na frente e perguntava:

- Gosta de poesia?

Ela respondia um "não, obrigado". Então eu deveria sair da frente. Sairia, se fosse poeta. Mas não sou. Eu pegava a pessoa pelo braço.

- Como não, se você nem ouviu?

A pessoa ficava com medo. Eu começava a ler. E como não sou poeta, lia e andava ao mesmo tempo. Dependendo do dia, saltitava.

- Quanto é? - perguntava a pessoa.
- Cinco reais, pra você.
A pessoa pagava antes de chegar na esquina. Eu corria de volta pra frente do MASP e recomeçava.




09h59




Subemprego 17: Maquiadora de criança

Eu ficava sentada dentro de uma tenda no meio do Shopping Center. A criança chegava, sentava-se à minha frente e dizia sua opção: borboleta, coelho, gato ou tigre.
- Gafanhoto.
- Gafanhoto não tem. Escolhe logo: borboleta, coelho, gato ou tigre.
- Gafanhoto.

Peguei a cabeça da criança e cobri seu rosto com tinta verde. Ficou parecendo um sapo. Aumentei o tamanho dos olhos. Ficou parecendo um ET. Apaguei a boca. Ficou parecendo um grilo. Pedi para a criança encher as bochechas de ar.

- Ah, sim! Agora começa a parecer um gafanhoto. Só que você vai ter que ficar com as bochechas assim pra sempre.

Vi os olhinhos brilharem de felicidade. Fiz umas pintas nas bochechas inchadas e uns riscos no nariz. Guardei o pincel e mandei a criança prestar atenção:

- Agora feche os olhos e esqueça quem você é. Pense num gafanhoto. Gafanhotos não andam em duas pernas, não tomam refrigerante e não assistem televisão. Você tem certeza que é isso que você quer?

A criança confirmou com um aceno de cabeça.
- Então, a partir desse instante... VOCÊ É GAFANHOTO! Adeus.

O bicho nem agradeceu. Deixou a tenda pulando de cócoras, enquanto zumbia e batia asas.


10h41




Subemprego 16: Rato de laboratório

O pagamento era extraordinário. Eu só me perguntava uma coisa: por que demorei tanto tempo para encontrar um trabalho assim?

- Talvez por isso não ser trabalho... - respondia uma vozinha irritante das profundezas da minha consciência.

Mandava minha consciência calar a boca, e ia pro trabalho. Vestia meu pijama e cumprimentava a equipe médica. Eles perguntavam se eu tinha passado bem o dia. Minha vontade era de dizer que nunca estive melhor: ganhando para não fazer nada. Hehehe.

Eles grudavam os eletrodos na minha cabeça, mandavam eu engolir uns comprimidos coloridos e eu capotava.
Acordava na manhã seguinte com a sensação de ter dormido uma semana. O médico desgrudava os eletrodos e dizia:

- Até a noite.

A consciência demorava um pouquinho mais para acordar. Esperava eu tomar café na padaria da esquina. Daí começava:

- Você devia pelo menos saber o que eles estão pesquisando. Eu só quero ver daqui a dez anos. Seu cérebro estará completamente detonado. Ninguém dorme com corrente elétrica passando pela cabeça. Você é uma irresponsável...

E assim ia. Essa era a parte chata do trabalho.


09h20






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