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Subemprego 25: caricaturista

Aproveitei que estava com o lado direito do cérebro superdesenvolvido e armei uma tenda na Benedito Calixto. No começo, eu ficava encabulada de ter que olhar daquele jeito para as pessoas. Mas logo percebi que se não olhasse, o desenho não ficava bom. Então passei a olhar, parte por parte.

Não via mais um rosto como uma unidade, ele passou a ser composto de elementos. Nariz, sobrancelhas, lábios, testa, queixo, maxilar, cílios, pupila. Era como olhar para uma banca de legumes.

O problema é que às vezes eu me surpreendia com algum nariz, e me dava conta do absurdo do formato. Acabava rindo sem querer.

- Tá rindo do quê? - perguntava o cliente.
- Nada, não - respondia.

Mas o estrago já estava feito. As pessoas em volta gargalhavam sem dó, olhando do meu desenho para o cliente, do cliente para o meu desenho. E nessa hora o rosto ia se transformando de um jeito assustador. Eu terminava rapidinho e chamava o próximo da fila.


15h54




Subemprego 24: cartunista

Minha mãe conta que quando nasci, minha cabeça tinha formato de ovo. O médico mandou pegar uma espátula e ir modelando, de levinho, até ficar redonda. Então eu cresci e as pessoas começaram a comentar que tudo que escrevo é muito engraçado, de onde concluí que, na verdade, sou cartunista com o lado direito do cérebro atrofiado.

Se eu desenvolvesse o lado direito do cérebro, conseguiria desenhar. Daí eu acrescentaria desenho aos meus textos, faria umas tirinhas e voilá, ganharia dinheiro! Era isso!

Fiz um curso de desenho e aprendi a fazer três tipos de boneco com cinco expressões faciais diferentes. Se Adão faz com dois, imagine o que eu faria com três!

Desenhei vinte tiras e mandei pro jornal. Responderam dizendo que as piadas eram engraçadas, o desenho original, mas faltava "sei lá o quê".

Passeis meses tentando encontrar esse "sei lá o quê". Hoje eu sei: senso de ridículo.


09h06




Subemprego 23: Corretora de imóveis

Eu ficava dentro de uma tenda, no meio do pasto, lendo Isabel Allende. Só interrompia quando ouvia barulho de carro.

-  Boa tarde, vim ver os lotes.

Então eu fechava o livro e perguntava o tamanho do lote que o cliente desejava. Pegávamos meu carro e íamos até lá.

-  Fique à vontade - eu dizia.

O cliente andava pelo pasto olhando pra cima, pro mato, pras vacas, pra formação de nuvens.

- SE VOCÊ FIZER A PISCINA AÍ, PEGA SOL O DIA INTEIRO! - eu gritava.

Graças a Deus nunca pediram para eu explicar por que. Sei lá por que eu falava essas coisas. Mesmo assim, falava. Se o cliente não estava convencido, eu me fazia de espantalho. Abria os braços e mostrava onde o sol nascia e delineava sua trajetória, enquanto ia girando bem devagarinho. Então virava para o cliente e dizia:

- Onde mais você vai conseguir isso?

Eu sabia que a resposta era: "em qualquer lugar do planeta", mas eles eram educados. Respondiam:

- De fato... - agradeciam e iam embora. Eu voltava pra Isabel.


09h59




Subemprego 22: Professora de baby class

Para cursar baby class basta parar em pé, e ter tirado a fralda. A minha classe era composta de nove bebês de tchu-tchu. Cinco delas chupavam dedo. Aquilo era inadmissível. Eu começaria pelo dedo.

- Hoje vamos aprender a fazer mão de bailarina.

Mostrei a mão, com dedão escondido.

- Viram só? Bailarina não tem dedão.
- Por que, tia?
- Porque as boas bailarinas já chuparam todo o dedão, até o fim.

Imediatamente, elas tiraram o dedo da boca.

- A tia não tem mais dedão. Olha só como fica mais bonito!

O fato de ficar no alto, e elas na altura do meu joelho, ajudava bem. Comecei a aula, e a dúvida ficou pairando no ar.
Três semanas depois, apenas uma continuava chupando dedo. Era a obsessiva da turma. E por causa dela, fui despedida. Além de obsessiva, era dedo duro.


09h43




Subemprego 21: Hippie

Virei hippie enquanto procurava emprego nos classificados do jornal. Era domingo. Os cadernos sem oferta de emprego, eu deixava de lado.

Era muito papel para uma pessoa só, desempregada, num domingo. Peguei os cadernos de classificados de carro e fiz 50 canudinhos. Daí, com o caderno de Economia, fiz mais 10. Trancei os canudinhos e fiz uma cestinha! No sábado seguinte, estendi uma canga na Teodoro Sampaio e esperei. Vendi todas as cestinhas.

-  E aí, mina, vamos tomar uma breja? - perguntou o vizinho hippie, ao final do expediente.

No boteco gastei metade do dinheiro que ganhei com as cestas. O resto daria certinho para comprar sete miojos, uma penca de bananas e mais um jornal de domingo.
Passava a semana no banco da praça, enrolando jornal e dando boa tarde às pessoas que tinham que trabalhar. Coitados. Eu nem lia as notícias. Afinal, era hippie. Achei aquilo muito harmônico e justo, coisa de hippie.

Certo dia, quando bateu uma vontade de comer um pedaço de bife com arroz e feijão, eu voltei a ler os classificados.


09h32






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