
![]() Perdendo Perninhas - grupo de amigas enfrenta os temores da quinta série Visite o Site
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Subemprego 30: Patinadora do Carrefour
Minha função era buscar produtos, trocar produtos e conferir preços. Seria tedioso, se não fosse pelo patins, e o rádio. Aquilo era o mais perto que eu chegaria de entrar para a tripulação de Star Trek. - OK! Afirmativo. Situação de troca de Pomarola no caixa 5. Repito: situação de troca urgente de Pomarola no caixa 5. Assistência a caminho. Câmbio e desligo. Eu era rápida, eficiente, focada. Meus colegas me admiravam. Passaram a agir como eu. Rapidamente aquele Carrefour ganhou aspecto de Enterprise. Cumpríamos ordens como se tivessem sido emitidas pelo próprio Capitão Kirk. Mas desta vez a justiça não triunfou, e eu fui condenada como elemento de influência maléfica.
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Subemprego 29: Suporte de maçã
Toda noite eu vestia um maiô de lantejoulas e um par de botas vermelhas, sentava num banquinho e ficava lendo "As Brumas de Avalon", até chegar a minha hora. - Vai filha! Fechava o livro, dava três estrelas e aterrizava no meio do picadeiro. Dois homens me levantavam pelos braços e me carregavam, feito estátua, até o alvo. Botavam uma maçã na minha cabeça. Eu soprava um beijinho para o público e fechava os olhos, era um tipo de adeus. A partir daí eu ia me imaginava com uma lua crescente tatuada na testa, dançando em volta da fogueira e uivando. Só abria os olhos quando sentia a gosma da maçã escorrendo pelo meu cabelo. Deixava o picadeiro dando piruetas e pensando que precisava, urgentemente, encontrar um jeito de ter mais emoção na minha vida.
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Subemprego 28: Promotora do polenguinho
A pessoa passava e eu oferecia um polenguinho sabor azeitona. Enquanto mastigavam, eu falava: - Agora Polenguinho vem em três novos sabores: presunto, azeitona e gorgonzola. Esperava a pessoa engolir: - Não é uma delícia? Nunca respondiam. - Ô bem, pega duas coca-colas lá pra mim! Eu insistia. - Então prove o polenguinho sabor gorgonzola. Tenho certeza que você vai adorar. Esperava a reação. A maioria jogava o palitinho no lixo e seguia sem reação alguma. Assim é o mundo.
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Subemprego 27: Salva-vidas
Sentada lá no alto eu contava as cabeças espalhadas na piscina. Anotava o número e ficava observando. Depois de um tempo, recontava. A primeira coisa que aprendi, foi que não valia a pena descer correndo do meu posto por achar que estivessem se afogando, pois fingir afogamento era a brincadeira favorita deles. Eu teria que aprender a reconhecer gritos de afogamento dos gritos padrão. Na dúvida, gritava lá de cima: - Morreu? Eles achavam a pergunta engraçadíssima. Nunca morriam. No começo, eu ia embora me sentindo totalmente inútil. Fazia meu relatório e anotava: "Ocorrência de acidentes: zero/ nenhum comentário adicional" Certo dia percebi que devia mudar minha atitude, isto sim. Passei a registrar: "Vidas preservadas: 56/ dia de muita diversão no parque aquático".
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Subemprego 26: Branca de Neve
A lógica era que, no domingo os adultos colocam crianças dentro do carro. A criança, ao ver Branca de Neve pulando na calçada, grita: - Pai, olha a Branca de Neve! Pára, pai! Pára! Enquanto a criança se diverte com Branca de Neve, o pai entra na concessionária e compra um carro novo. Eu fazia a parte da Branca de Neve. Botava uma peruca, cobria a cara com pó de arroz, pegava a criança pela mão e dançava ciranda, o domingo inteiro. Enquanto o pai não saísse da concessionária, eu não podia soltar a criança. Se a criança entrasse e atrapalhasse a venda, a culpa seria minha. Era responsabilidade demais para uma única Branca de Neve. Encontrei minha grande arma nos anões. Eram de verdade, e as crianças morriam de medo. - Eles não fazem nada. Quer ver só? Então eu mandava o ator se virar e chutava seu traseiro. Ele rolava e chorava. - Agora tente você. A criança chutava o anão, que rolava, chorava e saia correndo. Elas amavam. Passavam um tempão chutando anões e esqueciam de mim. Eu só retomava a ciranda quando os pais saiam da loja, pegavam a criança de volta e me agradeciam.
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