
![]() Perdendo Perninhas - grupo de amigas enfrenta os temores da quinta série Visite o Site
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Subemprego 35: Administradora de oficinas culturais
Os poetas ficavam esparramados pelas poltronas a tarde inteira, bebendo café. Aquilo começou a irritar minha chefe. - Eles não trabalham? Então ela teve uma idéia: "oficinas culturais". Seriam oferecidas oficinas de poesia, claro, e outras mais, como história da arte, cinema europeu, prosa lírica, essas coisas que poeta gosta. Os poetas ficaram excitadíssimos. Metade se inscreveu para dar as oficinas. A outra, para fazer. Perfeito. Tínhamos mão-de-obra e clientela. Botaríamos aquela gente para trabalhar. Cabia a mim administrar as oficinas. Estabeleci os preços, chamei os poetas e expliquei quanto ia custar cada uma delas, qual seria o custo de material, inscrição, hora/aula do professor, descontos para aqueles que fizessem mais de uma oficina e projeção de lucro. Arregalaram uns olhões como se não tivessem entendido uma palavra. Os oficineiros desistiram por não terem dinheiro. Os professores, por constrangimento de cobrar. E assim acabou meu último subempreguinho no café Índigo.
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Subemprego 34: Gerente sem causa
Fui promovida a gerente porque o café precisava de uma gerente e ninguém queria ser. Então escrevemos nossos nomes em guardanapos, jogamos pra cima e foi isso. Agora eu tinha que dar ordens aos meus colegas de trabalho. Passava o dia pensando numa ordem boa pra dar: "Ei, você aí, sirva aquela mesa, e seja gentil, e peça por favor e diga obrigado. Vai, anda!" ou "Telefone para a minha dentista e diga que eu não vou tirar o siso coisa nenhuma. Que se ela quiser ganhar dinheiro, terá que arranjar outro trouxa." ou "Volte lá e jogue esta gorjeta na cara dela e diga que há uma diferença entre gorjeta e esmola." ou "Beije-me agora se não quiser ser despedido por justa causa, seu moleque idiota!" Cheguei a começar algumas, mas sempre acabavam como pedidos. O poder não é pra mim.
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Subemprego 33: Cozinheira sem cozinha
- Você reparou que aquele lá está aqui há três horas, bebendo café?- sussurrava minha chefe. E daí veio a idéia. Serviríamos comidinhas, no diminutivo, pois não tínhamos cozinha. E eu seria a cozinheira: chips, bolo de padaria, biscoitos, chocolates, essas coisas. Botamos uma placa enorme: "Agora Servimos Comidinhas!" Os fregueses ficaram felizes, ninguém mais morreria de úlcera. Teria dado certo, se não fosse pela minha mania de criação. Eu me recusava a servir uma fatia de bolo de padaria e pronto. Eu era uma cozinheira, afinal de contas. Comecei a decorar as comidinhas. Fazia arvorezinhas de brócolis cru, corações de pele de tomate, passarinho de folha de repolho, dava um toque especial. Não sei se era muita cafeína na cabeça, mas os fregueses nunca identificavam as partes não-comestíveis. Dava cada confusão!
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Subemprego 32: Degustadora de café
Com seis meses de casa ganhei a função de comprar nosso café. Isso significava que, nas tardes de quarta-feira, eu recebia o Representante. Ele falava muito, sorria muito e usava uma gravata preta com xicrinhas coloridas. Primeiro ele fazia com que eu cheirasse os diversos tipos de sementes. Enquanto eu cheirava, ele contava piadas. Eram mais ou menos engraçadas. Então a gente começava a degustar. Eu bebia, ele cuspia. Ficava a tarde toda ali, bebendo café: mentolado, amendoado, achocolatado, até bater o efeito da cafeína. Então, era a minha vez de contar piadas. E eu, que nunca lembro de nenhuma, lembrava de 15, 20, 30 piadas. Ele ria até chorar. Eu ria até cuspir. E assim ia, até bater a taquicardia. Essa era a parte dolorida. Eu me agarrava à gravata de xicrinhas e pedia pelo amor de Deus para ele chamar uma ambulância. Ele ria. Eu chorava.
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Subemprego 31: Mocinha do café
Era um café cabeça, com três noites de sarau por semana, e muitos poetas. Quanto a isso, eu não podia fazer nada. Era apenas a atendente atrás do balcão, e servia cafés. Pois foi ali, ouvindo infindáveis declamações, que aprendi muitas coisas sobre a vida. A primeira delas, foi perceber que minha maior arma estava ao alcance da mão. Passei a condenar poetas. Se não gostava da declamação, ligava a máquina e botava grãos de café para triturar. Fazia uma barulheira dos infernos. O público virava-se para mim fazendo caretas. Eu respondia abanando os braços, de um jeito bem afobado, e pedindo perdão. Batia na testa, para mostrar como eu era idiota, e dizendo que tinha me esquecido completamente. Dava mais um tapa na testa e fazia o sinal internacional do: agora não tem mais jeito; a máquina era automática. Tenho saudades do café Índigo.
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Semana Café Índigo
Foi lá, no Café Índigo, onde trabalhei durante 2 anos, que peguei o apelido. Então, dedico essa semana àquela época, que resultou nuns subempreguinhos bons à beça.
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