
![]() Perdendo Perninhas - grupo de amigas enfrenta os temores da quinta série Visite o Site
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Subemprego 40: Fiscal de Ovo de Páscoa
Meu trabalho era ficar parada debaixo dos ovos pendurados no corredor de biscoitos, doces e chocolates. Minha missão: combater os esmagadores de ovos. Minha restrição: além de apitar, não podia repreendê-los, pois eram filhos de freguesas. Parada no meio daquele corredor tumultuado, ficava atenta aos braços afoitos. Era preciso identificar as intenções. Alguns queriam apenas comprar um ovo. Mas outros, e aí é que estava a ameaça, queriam esmagá-los. Cabia a mim evitar o esmagamento. E isto eu fiz. Foi um sub tranqüilo. Mas teve um pequeno efeito colateral. Todo final de expediente, antes de ir embora, eu comprava uma dúzia de ovos verdadeiros, de galináceas. Chegava em casa e esmagava um por um. Só então podia tomar um banho, assistir TV, jantar..
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Subemprego 39: Coelho
Já vesti muito cabeção na vida: Mickey, Pateta, Pantera Cor-de-Rosa e, naturalmente, Coelho. Fui coelho de shopping. A brincadeira era: quem encontrasse o Coelho, ganharia um ovo de páscoa. Cabia a mim me esconder. Era uma brincadeira injusta, pensando bem. Eu não podia entrar na sala da gerência, ou no canto da terceira garagem do subsolo, nem debaixo de algum balcão Eu só podia me esconder nos corredores do shopping. Considerando o tamanho da minha cabeça, era uma maneira amena de dizer que eu não podia me esconder em lugar algum. Nunca apanhei tanto na vida. Cada vez que me encontravam, atiravam-me no chão e puxavam minhas orelhas, enquanto eu me agarrava à minha cabeça. Desconfio que algum coelho deve ter morrido na profissão, pois hoje em dia não se brinca mais assim.
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Subemprego 38: Fiscal de SPA
Meu trabalho era beber xampu para ver se não era, na verdade, leite condensado. Também procurava tabletes de chocolate grudados atrás dos quadros, quindins dentro dos sapatos, essas coisas. Cheguei a pegar uma maria-mole esmagada dentro de uma lanterna. Não gostava daquilo. Achava que os gordinhos tinham direito à felicidade. Cada vez que apreendia uma guloseima, sofria. Eles imploravam como bebês. Pediam para eu deixar só um pedacinho. Era triste... Até que um dia, um deles descobriu meu ponto fraco. Eu podia ser magra, mas era miserável. Enquanto que eles, gordos, eram cheios da grana. - Quanto você quer para me trazer um Suflair? Quem paga cem dólares por um Suflair? Pois este pagou, e depois seu vizinho de quarto, e o vizinho do vizinho. Eventualmente fui despedida, mas antes juntei uma grana legal!
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Subemprego 37: Vigia de Museu
Ficávamos paradinhos. Eles, por serem de cera. Eu, para que o visitante tivesse uma experiência mais intensa. Ele, visitante, deveria vivenciar a vida nas cavernas. Esse "vivenciar" é coisa do Diretor do Museu. Encostada num canto escuro da sala, atrás de uma rocha de espuma, vivenciei bem. A família paleolítica assava uma carne sangrenta, enquanto contava histórias. No começo, achei-os bem estereotipados. Mas com o tempo, comecei a prestar atenção às histórias. Era fácil, pois falavam em mímica. E não, não era nada Flinstons. Naquela hora, quando chegavam inteiros ao final do dia, celebravam a façanha de estarem vivos. Eu chegava triste ao final do meu dia. Não teria bicho algum para matar, nem histórias heróicas para contar.
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Subemprego 36: Andadora de cachorro argentino
Eu morava em Buenos Aires, mas foi sem querer. Fui, acabou o dinheiro e não tive como voltar. Foi ótimo. Andava pelas ruas e sofria. É doce sofrer em Buenos Aires... Então percebi que todos os brasileiros que foram, acabaram com seus dinheiros e ficaram, andavam com cachorros. Eu servia para andar com cachorros! Fui atrás dos meus. Consegui quatro. Os outros brasileiros levavam três em cada mão, mas para começar, quatro estava legal. Deixava que eles escolhessem o caminho. Eu seguia, vendo as casas. Tão lindas as casas de Buenos Aires... Parava para eles mijarem e me sentia como a Maria do João e Maria. Quando los perrozitos davam-se por satisfeitos, iam cheirando seus mijos e desvendavam o caminho de volta. Sempre dava certo. Certo dia, percebi que já tinha o suficiente para comprar a passagem, e desvendei o meu caminho de volta.
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