
![]() Perdendo Perninhas - grupo de amigas enfrenta os temores da quinta série Visite o Site
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LEMBRETE PARA PROGRAMA DE DOMINGO!
Neste domingo, dia das mães, eu vou subir no palco do Itaú Cultural (São Paulo), ao lado da Ivana Arruda Leite, e sob a direção da Fernanda Dumbra. Vou interpretar meus próprios textos e contracenar com Ivana, que interpretará os seus. Estou com medo e animadíssima, eufórica e apavorada. Mas isso não vem ao caso. Estão todos convidados. É grátis! O evento é o A(u)tores em Cena. Serão 9 autores. Começa na sexta-feira. Clique aqui para a programação completa. Mas já anote aí o meu!! ITAÚ CULTURAL - Av Paulista - 149 / estação Brigadeiro do metrô
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Subemprego 60: Salva-vidas de miçangas
Torrei uma boa grana tentando ser bordadeira. Só comprava miçangas caras. Acabei ficando amiga da dona da loja de miçangas, e dura. Ela me ofereceu um sub. Cuidar das miçangas. Eu ficaria instalada no alto de uma escada de salva-vidas, na entrada da loja. Topei na hora. Adoro subs que exigem que eu fique plantada. Melhor ainda se plantada sem fazer nada. E nesse, além de escada de salva-vidas, eu ganhava um apito. Apitava sem dó. Cada mulher sem-vergonha que aparecia por lá! Enfiavam as miçangas no bolso, na maior cara de pau. Eu apitava, descia voando da escada e mandava a freguesa esvaziar os bolsos. Daí resgatava a miçanga e dizia umas boas verdades. Infelizmente, só durou uma semana. Pelos cálculos da dona, era melhor perder miçangas do que freguesas.
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Subemprego 59: Bordadeira
Qualquer objeto de pano servia. Bolsas, calça jeans, chinelos, camisetas, pano de prato, almofadas. Eu ia bordando. Bem, na verdade, só sabia ponto cruz, que é aquele assim: "x". Então eu fazia vários "x" e ia fincando miçangas, fitinhas, botões, lantejoulas, peça de brinco quebrado, medalhinhas. Trabalhava em linhas. Gostava de abrir com um botão grandão e seguia com uma seqüência de "x". Lá pelas tantas, começava a intercalar os "x" com as miçangas. Bem no meio colocava as medalhinhas, e do meio até o fim repetia a primeira parte da seqüência. Por último, passava uma linha de cetim, logo abaixo, para sustentar tudo. Pensando bem, era como fazer livros. Só que em vez de enfileirar letrinhas, usava badulaques. Depois eu tentava vender por aí. Todo mundo achava lindo. E diziam que eu tinha talento. Eu agradecia, ficava feliz da vida. Só quando chegava em casa me dava conta de que não tinha vendido nada. Sim, como livros.
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Subemprego 58: Babá de Planta
Eu podia matá-las de qualquer jeito. Se colocasse muita água, morriam. Se pouca, morriam. O casal ficaria fora um mês e; dia sim, dia não, eu tinha que ir até lá cuidar das plantas. Sabia algumas coisas. Se neste um mês uma folha secasse, eu deveria arrancar a folha. Mas se ela secasse, poderia também ser um sinal de que eu estava colocando pouca água. Não confio em plantas. Elas morrem da noite para o dia, sem aviso prévio. Nos primeiros dias elas se comportaram. Mas na segunda semana, começaram a resmungar. Uma avenca secou inteira. Assim, de quinta para o sábado. Secou. A begônia se despetalou. Na segunda tinha pétalas, na quarta tinha soltado tudo no chão. Entrei em pânico. Corri para uma floricultura, atrás de socorro. Chegando lá, Deus me iluminou. Percebi que não existe diferença entre uma avenca e outra avenca. Depois disso, conforme elas iam morrendo, eu ia trocando por mudas idênticas. Quem manda pagar adiantado?
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Subemprego 57: Porta-bandeira do Paradise Plaza
Eu ficava parada no meio da Faria Lima segurando uma bandeira com a palavra "Paradise". E não era para fazer cara feia. Não precisava ser cara de paraíso, mas também não podia ser feia. A garota seguinte segurava uma escrito "Plaza", e assim sucessivamente. Eu era a terceira das 10 "Paradise". Depois que o motorista passava por todas nós, recebia um folheto. Nesse ponto ele virava à direita, andava dois quarteirões e chegava ao Paradise Plaza. Mas aí, eu não enxergava mais. Quando o braço doía, eu me reanimava pensando que minha função ali era quase angelical.
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Subemprego 56: Motorista de carrinho de golf
O bacana dava uma tacada e a bolinha atravessava lagos, bosques, campos e sumia de vista. O bacana entrava no meu carrinho, acendia um charuto e ligava o celular para uma rápida reunião. Meu trabalho era adivinhar onde a bola tinha caído e chegar até lá sem perguntar o caminho. Afinal, aquilo não era um taxi. Eu nunca sabia onde as malditas bolinhas tinham caído. Era um estresse. Alguns bacanas ainda apontavam para cá ou para lá, com a ponta do nariz. Eu seguia o nariz. Outros não queriam nem saber. Eu dirigia até encontrar uma bolinha. Parava o carro e dizia: - Senhor... Três pontinhos. Se era bolinha do bacana, ou de outro bacana, pouco importava. O bacana acreditava que eu sabia o que estava fazendo. Eu acreditava estar fazendo a coisa certa. Eles que se entendessem.
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